Gilbertto Prado

É uma instalação interativa em lembrança aos mortos na chacina da baixada fluminense, no bairro de queimados entre uma noite de quinta-feira e uma madrugada de sexta, em março 2005 onde 30 pessoas foram eliminadas.

A instalação é montada em um espaço semi-aberto, como se fosse uma praça, onde possa haver bastante circulação, mas com luz reduzida. No centro do espaço um grande e pesado tapete todo azul feito à mão, como os realizados pelas mulheres de presos.

As séries de imagens assim como os locais da projeção são feitos de forma aleatória, não tem como serem previstos pelos interatores, mas é intencional que eles percebam que é a presença e a ação deles no espaço que gera o evento. Uma vez que uma pessoa suba no tapete dois eventos ocorrem: uma imagem de um corpo nu em agonia é projetada no chão e um vento forte e cortante é acionado por um ventilador desde uma parede frontal ao interator. As imagens não têm som, o único barulho é o do vento direto sobre o espectador causando ruído, tensão e instabilidade. Quanto às imagens, à partir do momento que elas são projetadas em um local são geradas zonas de tensão que fazem com que as ações dos corpos reajam diretamente à aproximação e afastamento dos espectadores. Quando eles chegam junto aos corpos a situação se torna irreversível com a morte dos personagens e o esvanecimento das imagens. Tem-se um intervalo sem projeções e ações.

 


Créditos
Gilbertto Prado, 2005
Equipe de Apoio: Fábio Oliveira Nunes, Gaspar Arguello, Jesus de Paula Assis, Luciano Gosuen e Maurício Taveira
Programação: Luis Henrique Moraes
Atores: Francisco Serpa e Karina Yamamoto


Imagens
Exposição "Cinético_Digital"
Julho/Setembro de 2005
Itaú Cultural - São Paulo