HQTRÔNICAS[1]: AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA REDE INTERNET
Edgar Franco

In: Revista da Pós Graduação, Instituto de Artes, Unicamp, Campinas, v. 4, nº 1, p.148-155, 2000.


Resumo

Este texto é uma breve introdução ao estudo das inovações introduzidas na estrutura das histórias em quadrinhos (HQs), a partir de sua inserção na rede Internet, com o objetivo de analisar de que forma influenciam na sua linguagem, os novos recursos de multimídia, interatividade e hipertexto. Tendo como base uma pesquisa exploratória das páginas de HQs virtuais na Web.


1- HQs: Uma Forma de Arte

As histórias em quadrinhos têm antecedentes na Idade Média em painéis e iluminuras que empregavam o recurso de imagens justapostas em seqüência para relatar passagens bíblicas, lançando mão também das chamadas Filacteras - espécie de precursoras do atual balão de fala; entretanto só vieram a se cristalizar como linguagem artística no início do nosso século, sendo contemporâneas do cinema e como ele, tornando-se mais tarde um meio de comunicação de massa.

Fusão entre a escrita e a expressão pictórica, as HQs possuem características exclusivas à sua linguagem, segundo o pesquisador Ivan Carlo: O leitor participa da narrativa quadrinhística, completando o vácuo entre um quadro e outro[2]. Sobre as particularidades da linguagem dos quadrinhos, Gaiarsa diz : As histórias em quadrinhos estimulam mais a inteligência a imaginação e a abstração, permitem um número maior de combinações porque se podem combinar no espaço e em todas as direções, ao passo que as palavras só podem se suceder em uma linha depois da outra, uma palavra dita após a outra, uma frase dita após a outra.[3] O teórico da comunicação Marshall McLuhan[4] classifica as histórias em quadrinhos como um "meio frio", isto é, um meio de comunicação que promove uma maior participação do interlocutor no processo de leitura/apreensão .

Desde a década de 60, diversas correntes vanguardistas foram surgindo nas histórias em quadrinhos. Seu potencial passou a ser explorado de forma dinâmica e ousada, refletindo o mesmo processo vivido pelas artes plásticas, surgem as "HQs de Autor", também chamadas de "HQs de Arte" que têm como paralelo o Cinema de Autor. Quase ao mesmo tempo, nos anos do pós segunda guerra, surge a Cibernética e com ela inicia-se a análise de sistemas, a programação de computadores, aparecem os primeiros softwares, os satélites, a telemática, as hipermídeas, o ciberespaço e a realidade virtual.


2- As Histórias em Quadrinhos e o Computador

A partir dos anos 70, surge no seio das artes visuais o desejo de utilizar os novos suportes imateriais, substituindo os tradicionais suportes físicos (tela, madeira, papéis), pela nova realidade virtual do computador, constituída por uma tela emitindo raios catódicos. Segundo Gilbertto Prado[5], nesse período também inicia-se a utilização de meios e procedimentos de comunicação instantâneos por parte dos artistas, inicialmente é usado o fax e depois já no ano de 1980, Robert Adrian dá início à utilização artística das redes telemáticas com o projeto Art Box.

A arte passa a vivenciar um momento de profundas transformações, e a interagir com as novas tecnologias. Ao passar do analógico para o digital, ao imaterializar a informação transformando-a em um algoritmo, em um mundo lógico/matemático, a tecnologia computacional une, num mesmo bloco, a arte, a ciência e a tecnologia, confundindo seculares sistemas teóricos disciplinares.[6]

A Arpanet, embrião da atual Internet, foi criada nos Estados Unidos no ano de 1969; essa rede tinha como objetivo a interconexão de computadores de universidades, centros de pesquisa e instituições militares, permitindo a eles contato direto com os recursos oferecidos pelo Pentágono. Na década de 80, com o surgimento dos computadores pessoais, pequenas redes foram sendo criadas, com o passar do tempo fez-se necessária a interconexão entre as diversas redes existentes. O desenvolvimento do sistema Web e a criação dos browsers, interfaces gráficas mais amigáveis ao usuário, popularizou a navegação na Internet, formando uma teia que interliga milhões de pessoas em todos os continentes.

Dentro deste contexto de desenvolvimento tecnológico, as histórias em quadrinhos foram aos poucos assimilando ao seu fazer artístico a utilização das novas tecnologias. O surgimento dos softwares de desenho permitiu com que, já em meados dos anos 80, várias HQs fossem realizadas totalmente dentro do computador, constituindo assim as primeiras experiências de Arte Seqüencial criadas totalmente no suporte virtual, mas editadas ainda no suporte tradicional papel. A primeira história em quadrinhos gerada totalmente por computador data de 1984, foi a história em quadrinhos Shatter, criada pelo norte americano Mike Saenz, uma aventura produzida em um computador Apple Macintosh, usando apenas um disk drive, a arte dessa HQ era fragmentada e quebradiça, mas o visual era totalmente novo para os quadrinhos. Os técnicos da Apple Macintosh Inc ficaram maravilhados com o resultado do trabalho pois não esperavam esse tipo de uso para o seu hardware. Em 1986, Saenz dando continuidade a seu trabalho com a computação gráfica cria a graphic novel[7] Crash, com o herói Homem de Ferro. Já em 1990 é lançada nos Estados Unidos a graphic novel Digital Justice de Pepe Moreno, um trabalho revolucionário, executado diretamente no monitor de um Macintosh II.

No início os tecnófobos e pessimistas fixaram-se apenas nas falhas para declarar o computador inútil na criação de quadrinhos, entretanto, atualmente os computadores tornaram-se ferramentas essenciais nos estúdios dos quadrinhistas, artistas usam-nos na criação de efeitos especiais, letristas criam seus próprios alfabetos, as grandes editoras já possuem departamentos exclusivos para colorização em computador, e mais recentemente, designers desenvolvem seu trabalho on line, em contato direto com outros artistas.


3- As HQS nas Redes Telemáticas

Com a popularização dos cd-roms e da Internet, a signagem visual das HQs passa a ser adaptada para essas novas mídias, essa adaptação iniciou-se de forma pioneira em 1986 , na França, quando a revista Circus, adquiriu um espaço na Minitel ( sistema de informações on line francês, um dos precursores da atual Internet), em seu espaço telemático a revista veiculava informações sobre seus lançamentos e curiosidades sobre seus autores, dando início também a um projeto ambicioso de adaptar as tiras da personagem Mafalda para a tela do computador. No projeto, os quadrinhos eram apresentados um por vez, em interatividade com o usuário que podia imprimir o seu ritmo de leitura selecionando o comando "página seguinte" para ver o próximo quadrinho. Apesar das limitações desse experimento, concluiu-se que neste caso as HQs sofreram uma drástica adaptação ao serem transpostas para o meio virtual, pois embora incorporarem novas possibilidades e recursos como movimentos e sons, o leitor passou a ver apenas uma tela por vez, descaracterizando a gestalt da HQ caracterizada por dois ou mais quadrinhos percebidos de um só golpe de vista. Segundo Flávio Calazans: Transportados em rede telemática, via satélite, cabo telefônico, ou fibra óptica, ou no suporte sólido disquete ou CD-ROM, os quadrinhos grafosféricos formatados à Videosfera descaracterizam-se, dando origem a um novo gênero narrativo, híbrido, de HQ com desenho animado, o qual tive a oportunidade de batizar como Mangá Telemático ( em homenagem às HQs e ao desenho animado japonês ).[8]

No presente estágio de desenvolvimento da Internet, podemos observar um surgimento crescente de novos sites e páginas dedicadas às histórias em quadrinhos, a maioria deles ainda utiliza pouco as possibilidades de interação que a comunicação telemática lhes permite, restringindo-se quase só à reprodução de HQs feitas no suporte tradicional papel e transportadas para o ambiente digital, entretanto, dentre eles podemos encontrar sites com propostas inovadoras que veiculam HQs já criadas para o ambiente virtual da tela do computador, levando em conta as suas dimensões e aproveitando-se de seus novos recursos de interatividade e multimídia, iniciando um processo revolucionário no seio dessa linguagem. Podemos considerar as novas funcionalidades como uma possibilidade de releitura dos objetos e dos processos de criação. Ao mesmo tempo que o artista utiliza essas máquinas que vêm se tornando cada dia mais acessíveis, seu "poder de ação" é renovado por essas mesmas máquinas.[9]

4- Os Sites de Quadrinhos na Rede Internet

Desde o surgimento da rede internet vários sites tendo como temática principal as histórias em quadrinhos foram surgindo na rede, atualmente eles podem ser encontrados às centenas na Web, com uma simples busca chegamos a páginas em língua francesa, inglesa, alemã, portuguesa, entre outras, provando-nos que o interesse pelo tema é grande na internet.

O enfoque destes sites também é o mais diverso possível, podendo, num primeiro momento dividi-los em quatro grandes categorias: Sites de Editoras de Quadrinhos, Sites de Fãs de personagens e autores, Sites de quadrinhistas e finalmente Sites de veiculação de HQs on-line, esses últimos os mais preocupados em explorar as novas possibilidades da interatividade e da multimídia.

Os sites de editoras como os das americanas Marvel[10], DC[11], Image[12], da francesa Dargaud[13] e da brasileiras Abril Jovem[14], têm como principal característica fins comerciais, ou seja, a promoção de seus títulos, fazendo propaganda de seus lançamentos, divulgando entrevistas com os artistas da própria editora e reproduzindo alguns desenhos de capa das revistas, mas nunca HQs completas, alguns desses sites também já possuem o sistema de compra on-line permitindo que o leitor adquira as revistas via internet com seu cartão de crédito. Esse tipo de site esta preocupado apenas em explorar as possibilidades comerciais da rede, deixando de lado qualquer especulação ou experiência no que se refere à linguagem dos quadrinhos.

Outro tipo de site muito comum, é o feito pelos fãs de algum quadrinhista ou personagem das histórias em quadrinhos, apresentando uma interessante variação de conteúdo pois alguns se dedicam a criar um elo de ligação entre os internautas admiradores de um personagem ou autor, gerando um polo de discussão sobre a obra deste, muitos sendo extremamente detalhados, como o americano Alan Moore Fansite[15], dedicado ao roteirista de quadrinhos inglês Alan Moore, que contém complexos e interessantes ensaios sobre várias das obras do autor, inclusive uma entrevista com o próprio realizada pelo Webmaster do site; outros sites são apenas homenagens ao personagem, onde o fã reproduz algumas das histórias que mais admira e confessa sua paixão pela obra. Nessa categoria encontramos páginas de admiradores de personagens tão distintos como Homem Aranha[16], Turma da Mônica[17], Sandman[18] e Asterix[19] que possui mais de duzentos sites de fãs em todas as línguas imagináveis.

Outra categoria de sites com presença maciça, são os sites dos autores/quadrinhistas, onde os artistas apresentam trechos de seu trabalho, biografia, entrevistas, portfólios e por vezes reprodução completa de algumas de suas HQs, esses sites englobam autores de todos os gêneros de quadrinhos do humor ao erótico, do infantil ao adulto, alguns são muito bem elaborados, apresentando grande preocupação com aspectos estéticos, como o do autor Tod MacFarlayne[20], criador de Spawn e o do grupo de quadrinhistas brasileiros Fábrica de Quadrinhos[21]. Infelizmente a função de grande parte desses sites é funcionar como cartão de visita para os seus autores, uma vitrine de seu trabalho, sendo que quase todos simplesmente digitalizam seus desenhos e HQs sem nenhuma preocupação em adequa-los à nova mídia internet.

5- A Veiculação de HQs na Internet.

A Quarta categoria de sites de HQs que podemos encontrar em número relativamente alto na internet é a que mais interessa ao nosso estudo, são os sites que têm como principal objetivo a veiculação de histórias em quadrinhos on-line, apresentando portanto uma preocupação em adequar a linguagem dessa arte centenária aos novos recursos do universo telemático, sites desse tipo podem ser encontrados em todos os continentes.

O site americano InetComics[22], funciona como um grande catálogo de home-pages que dedicam-se a publicação de quadrinhos on-line, possuindo inclusive uma seção dedicada a divulgar as inovações e pesquisas que estão sendo feitas usando os recursos da multimídia na criação de HQs para a rede, onde inclui um fórum de debate sobre os electronicomics (nome dado pelo site aos quadrinhos feitos para a web), nesse fórum podemos ver uma discussão acalorada de autores e leitores que possuem opiniões favoráveis e desfavoráveis sobre HQ na internet, contando com a participação de pesquisadores respeitados como Scott Mccloud, autor do livro Desvendando os Quadrinhos[23]. Muitos acreditam que a inclusão de animações, som, piscas e outros elementos estranhos à linguagem habitual dos quadrinhos no suporte papel, desvirtuam essa arte, outros apostam que estamos entrando na segunda era dos quadrinhos, a primeira durou do começo do século até o surgimento da internet, e a segunda está começando agora com o novo universo virtual abrindo caminho para o desenvolvimento das HQs.

O InetComics destaca em sua página principal uma seleção de dez sites de HQs virtuais considerados os melhores da web por seus webmasters , dessa lista, quatro se destacam pela exploração da interatividade e da multimídia, sendo eles: Argon Zark[24] de Charley Parker, Jonni Nitro[25] de Alex Ogle, Cybercit 3000[26] do grupo Orbit Media e o Replicators[27] Web Siteda King Kelly Comics.

Segundo seu autor Charley Parker, o site Argon Zark, colocado no ar em 1995, foi o primeiro site de quadrinhos da rede a usar efetivamente recursos de multimídia e interatividade em suas HQs. O trabalho de Parker é realmente bem elaborado, sua arte detalhista e bem cuidada. O artista se esmera na utilização de gifs animados em sua série de ficção científica, sendo esse o ponto mais alto de seu trabalho. Nas páginas as luzes de ambientes e espaçonaves se acendem e apagam, objetos movimentam-se no ar em alguns quadrinhos, em outros, com um clique do mouse, o leitor é levado a um quadro paralelo à narrativa principal ou aciona uma animação dentro da própria cena. O nível de interatividade ainda é pequeno mas a mistura das animações com a narrativa tradicional das HQs é uma experiência inovadora do autor, não explorada em nenhuma outra página visitada com o esmero dessa.

Jonni Nitro é um site experimental que engloba uma mistura das linguagens do cinema, das histórias em quadrinhos, da fotonovela e da animação, estando na fronteira entre essas mídias. Trata-se de uma história policial em clima noir, toda em preto e branco. As cenas são animações filmadas intercaladas por trechos fotografados, tudo apresentado num quadro no centro da tela, os diálogos dos personagens são escritos num quadro abaixo da cena e o leitor avança os mesmos à medida que os lê, a história possui também uma trilha sonora exclusiva que acompanha as cenas, com efeitos sonoros para passos, tiros e explosões. O autor preocupou-se com o tempo levado para carregar as imagens, por isso todos os arquivos de imagem e som carregam relativamente rápido, fazendo com que o usuário acompanhe as seqüências sem ter que aguardar muito tempo. No site, o autor faz uma propaganda de venda da história em quadrinhos de Jonni Nitro no suporte tradicional papel , mas admite que o trabalho foi idealizado para a web, perdendo muito de suas qualidades no papel. .

O interessante site Cybercit 3000, coordenado pelo grupo Orbit Media, dos Estados Unidos, é destinado exclusivamente à publicação de HQs virtuais focando as novas técnicas narrativas proporcionadas pelo conjunto comunicação telemática/multimídia. Ele edita trabalhos de diversos autores em edições sucessivas, aceitando inclusive submissões de HQs de leitores de qualquer parte do mundo, contanto que sejam escritas em inglês e apresentem alguma exploração dos novos recursos. O artista Bryan Bass (Bassius), apresenta-nos nesse site algumas HQs interativas muito interessantes como A Day in the Life e The Adventures of an Alien, são trabalhos executados no revolucionário programa Shockwave Flash que permite a inclusão de animações e sons. O humor sarcástico do autor fica muito enriquecido com a inclusão de movimento e som em sua narrativa, além disso Bassius é um dos autores que melhor explora esses novos recursos aliando-os aos tradicionais elementos da sintaxe das HQs como a divisão em requadros e os balões. Bassius é, dentre os artistas do site, o mais inovador, mas outros autores como Andy Crestodina e Mutang usam elementos de interatividade em seus trabalhos, tornando o Cybercit 3000 um importante espaço de pesquisa e vanguarda dos quadrinhos na web.

O site Replicators da editora King Kelly Comics, apresenta uma proposta de interação inovadora, propõe a criação de uma HQ on-line pelos artistas e leitores que visitam o site, a história é continuada, e não possui roteiro fixo, assim o visitante interessado pode contribuir criando uma página ou um capítulo da história e submetendo à aprovação dos webmasters, os capítulos vão se sucedendo cada um apresentando as características de traço e roteiro de seu autor em particular, abrindo espaço para que leitores e artistas das tendências mais diversas possam contribuir na elaboração da HQ; explorando mais uma possibilidade da web, unir artistas das mais diversas localidades do globo na criação de uma obra coletiva.

No Brasil, o site CyberComix[28], dedicado à publicação de HQs, é uma interessante experiência de fusão da linguagem dos quadrinhos com a web. Suas duas primeiras temporadas, veiculadas na Internet em 1997, traziam histórias de vários quadrinhistas brasileiros em um universo futurista, que tinham como elo de ligação o MediaSurfer, aparelho virtual que permitia ao internauta navegar pela história. Entre 1998 e 99, o CyberComix desenvolveu-se, transformando-se em um pólo de aglutinação on-line para fãs de quadrinhos. O MediaSurfer é um passo interessante na tentativa de adaptar a linguagem das HQs ao computador, pois propõe histórias com um formato já adaptado à tela do micro, além de alguns recursos novos como a possibilidade de saber maiores dados sobre o autor no momento que lemos sua história. Recentemente o site desenvolveu o HiperMediaSurfer, sendo até agora a proposta mais inovadora e criativa do site no uso dos recursos fornecidos pela interatividade. Ele propõe a veiculação de HQs onde o leitor escolhe a cada página o caminho que quer seguir na história, tendo a possibilidade de optar entre dois caminhos em algumas páginas e até entre três em outras. O recurso remonta a alguns livros de RPG ( Jogo de interpretação) em que o leitor pode seguir por vários caminhos escolhendo o final da história, mas o site é mais rico, envolvendo imagens e linkagens diretas com o caminho escolhido ( sem o inconveniente existente nos livros de ter que procurar a página que dá continuidade à história).

Além da veiculação de HQs, o site CyberComix também promove esporadicamente chats (bate papos on-line) com os seus autores, onde os leitores podem questionar o quadrinhista sobre sua obra e debater pontos polêmicos da mesma, quebrando a tradicional barreira entre o leitor e o autor; sem contar também a manutenção de diversos fóruns de debate sobre quadrinhos que abordam temas como HQ brasileira, heróis, HQ adulta e mangá.

O site Dimensão[29], apresenta como foco principal a veiculação de HQs virtuais inéditas, entretanto a exploração de recursos e adaptação à web é praticamente nula, sendo que os autores insistem em publicar histórias que seguem o tradicional formato de retângulo vertical, repetindo a forma consagrada pelo suporte midiático revista em quadrinhos no novo suporte virtual. Assim como o Dimensão, diversos outros sites que publicam HQs no Brasil continuam apenas escaneando os trabalhos e reproduzindo-os on-line.

As inovações de linguagem ainda são tímidas, mas são um indício do que teremos em breve, pois as mudanças provocadas pela interatividade, ou seja, as possibilidades de ação do leitor/internauta abalam a divisão tradicional entre aquele que faz e aquele que consome histórias em quadrinhos. Diante desse novo universo de possibilidades aberto à linguagem das HQs começam a aparecer diversas inovações em termos de forma, conteúdo e suporte que o impacto das novas tecnologias de comunicação estão produzindo no processo criativo dos autores de histórias em quadrinhos e no seio da linguagem dessa arte centenária.

Edgar Franco é mestre em Multimeios e Professor do curso de arquitetura e urbanismo PUC-MG (Poços de Caldas).

Texto originalmente publicado nos Cadernos da Pós-Graduação, Instituto de Artes, Unicamp, Vol 4, nº 1, 2000, pp. 148–155.

Notas:

[1] Neologismo criado por este pesquisador para batizar esta nova forma híbrida de arte que une os elementos da linguagem tradicional dos quadrinhos aos novos recursos de hipermídia, HQtrônicas é a abreviatura em língua portuguesa para "histórias em quadrinhos eletrônicas".

[2] CARLO, Ivan. O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos. Recife, GT-Humor e Quadrinhos, Intercom, 1998.

[3] ANSELMO, Z. A. Histórias em Quadrinhos. Rio de Janeiro, Vozes, 1975

[4] McLUHAN, Marshall. Os meios de Comunicação como Extensões do Homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo, Cultrix, 1969.

[5]  PRADO, Gilbertto. As Redes Telemáticas: Utilizações Artísticas. No site wAwRwT: http://wawrwt.iar.unicamp.br/texto05.htm ,1998.

[6]  BURGOS, Fátima. A sociedade Informática Sob a Ótica do Museu Virtual. No site Museu Virtual : http://www.unb.br/vis/museu/sociol.htm , 1997.

[7] Termo criado pelo quadrinhista e estudioso das HQs americano Will Eisner para definir histórias em quadrinhos direcionadas ao público adulto, com arte e roteiro mais requintados , além de impressão e encadernação luxuosa.

[8] CALAZANS, Flávio Mário de Alcântara. Uma Abordagem Midiológica das Histórias em Quadrinhos. In As Histórias em Quadrinhos no Brasil: Teoria e Prática. São Paulo, Intercom-Unesp/Proex, 1997. Pág.144 - 155.

[9] PRADO, Gilbertto. As Redes Telemáticas: Utilizações Artísticas. No site wAwRwT: http://wawrwt.iar.unicamp.br/texto05.htm ,1998.

[10] Marvel Comics Site – Endereço na web: http://www.marvelonline.com

[11] DC Comics Site – Endereço na web: http://www.dccomics.com

[12] Image Comics Site – Endereço na web: http://www.imagecomics.com

[13] Dargaud Site – Endereço na web: http://www.dargaud.fr

[14] Abril Jovem – Endereço na web: http://www.uol.com.br/abriljovem

[15] Alan Moore Fansite - Endereço na web: http://www.minospring.com/~scamper/moore

[16] Homem Aranha HP – Endereço na web: http://pc2.powerline.com.br/alan/spiderman.htm

[17 ]Fã Clube da Turma da Mônica – Endereço na web: http://tecepe.com.br/hp/cascao.htm

[18] Lord Morpheus HP – Endereço na web: http://w3.to/lord_morpheus

[19] Entre as centenas de páginas dedicadas ao herói criado por Goscini e Uderzo destacamos a Francesa : http//:www.deev.com/asterix

[20] Todd Official Page - Endereço na web: http://www.spawn.com/todd.html

[21] Fábrica de Quadrinhos HP - Endereço na web: http://www.estado.com.br/jornal/suplem/fabrica/quadri.htm

[22] InetComics – Endereço na web: http://www.inetcomics.com/online_comics.htm

[23] McCLOUD, Scott. Desvendando os quadrinhos. São Paulo, Makron Books. 1995.

[24] Argon Zark – Endereço na web : http://zark.com/

[25] Jonni Nitro – Endereço na web : http://www.jonninitro.com/

[26] Cybercit 3000 – Endereço na web: http://cybercity3k.com/

[27] Replicators Web Site – http://www.replicators.com

[28] CyberComix – Endereço na web: http://www.zaz.com.br/cybercomix/

[29] Dimensão – Endereço na web: http://www.putaquepariu.com/dimensao/index.html